Meus Arquivos

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


“Nós não lemos o que lemos. Nós lemos o que somos!”
As 12:12 do dia 11/02/2009 eu me senti no dever de atualizar meu blog, quase sem vida, não fosse o entusiasmo que tenho em brincar de combinar ações, pensamentos e idéias em forma de palavras.
Neste momento, cansado, acabo de ler um texto de Rubem Alves, alguém que aprendi a gostar por meio de outras a quem gosto muito. Não gostei de seu trabalho por gostar dessas que o admiram, mas, pela excelência de suas linhas, quase as vejo brincando em incríveis realidades diversas, as vezes desconhecidas, com todos os melhore sabores do mundo, do coração e principalmente com uma pitada de tempero Mineiro, o essencial....
Então, recomendo seu texto SOBRE BIFES DE FÍGADO E DOBRADINHA, na verdade o gosto muito, por isso recomendo todo seu arsenal literário, é belo, é apaixonante, e de um bom gosto ilimitado. Site:
www.rubemalves.com.br

Este texto, em especifico, explica sob o “nosso ponto de vista” algo que eu sentia, sabia, mas não conseguia expressar. Como diz outro bom inteligente, o Sr. Padre Fábio de Melo, que também tenho admirado bastante, não por ser um conterrâneo, nem por ter aprendido a gostar de seu trabalho através de referencias dos que gosto, como no caso de Rubem, mas pela clareza e excelência madura de suas palavras, sempre tão diretas, sempre tão acalentadoras, “muitas vezes as palavras não condizem com as emoções”, ou seriam memórias, ou seriam lembranças???? Enfim, sob sua perspectiva ou a minha adaptação prevalece a inicial:

MUITAS VEZES AS PALAVRAS NÃO CONDIZEM COM AS EMOÇÕES.

Retomando o que voltei a retomar ontem, tentei dizer a uma colega de Trabalho que tenho percebido algo diferente e tão igual. Todas as mentes que considero brilhantes, que as julgo inteligentes e sedentos de informações e sabedoria percorrem em algum momento, ou a maioria dele, a mesma avenida. Seria isso algo pré-estabelecido (segundo as novas regras de português preestabelecido)? Seria também esta uma forma alienada de direcionamento?

Segundo Rubem sob o conceito de Nietzsche
... ninguém consegue tirar das coisas, incluindo os livros, mais do que aquilo que ele já conhece. Pois aquilo a que alguém não chegou por meio da experiência, para isso ele não terá ouvidos”. Seguindo essa mesma linha de raciocínio em um texto onde meu ídolo parecia desabafar e, deixar exposto algo, ele fez referencias também ao livro de Thomas Mann, José no Egito, onde após ser vendido como escravo ele, José, assentado, conversava com seu dono e diz: “Eu estou assentado a não mais que um metro de você. No entanto, ao seu redor grã um universo do qual o centro és tu, e não eu. E ao meu redor gira um universo do qual o centro sou eu, e não tu. A proximidade física é um engano. Próximos fisicamente, estamos infinitamente distantes um do outro.
Com base nessa referencia Rubem conclui que existem universos completamente diferentes, onde cada existência é o centro de seu próprio universo, e por isso não agrada nada mais que aqueles presentes em seu universo, ou os que a ele se assemelham. Existem centros de universos parecidos, como no caso de sua paixão pelas obras de Bachelard, e neste caso, pela proximidade de universos ele é capaz de aplicar a sentença antes mesmo do julgamento, antes de ler o livro, por conhecer e se identificar com o autor é capaz de deduzir que a obra é Maravilhosa.
Neste desabafo de Rubem também entendi que de acordo com a psicanálise
quando lemos estamos em busca daquilo que a ciência da o nome de “identificações”.Agora tenho explicado o sentimento que antes não poderia explicar, talvez pudesse fazê-lo daqui a alguns anos quando minhas experiências me permitissem, mas as faço hoje, quando começo a cruzar as ruas de encontro a mesma avenida aos que admiro intelectualmente, com base no texto de alguém que mesmo distante, sem nos conhecer, sem ter trocado uma única palavra mostrou através da relação estabelecida entre as experiências que formam o meu e o seu universo e principalmente através de seu intimo expresso em seu desabafo em forma de texto, o que reforça cada pensamento por ele ali ilustrado, habitamos o mesmo universo.

NÃO MENOS IMPORTANTE QUE A SATISFAÇÃO DO ENCONTRO, SE SENTE MAIOR E ARDENTE, A SATISFAÇÃO EM BUSCAR. (eu mesmo pensei nisso, heheh).
Nós, sedentos de informações, curiosos, cruzaremos a mesma avenida de encontro a insatisfação, que nos remete a buscas intermináveis, sempre renovadas e/ou reforçadas a cada segundo a frente.


A maturidade e a experiência vital são um processo natural pelos quais todos iremos passar/adquirir, alguns forjados a ferro e fogo, outros de uma evolução menos dolorosa ou suprema em plena excelência. A certeza que continuo tendo é que nos direcionamos a um mesmo caminho, uma mesma jornada, nos alimentando em universos harmonizados, tão iguais, tão parecidos, tão passiveis das informações que um dia fomos carentes e das quais passaremos a vida toda tentando obter.

Se eu pudesse, queria ter muito mais que uma vida, para aprender mais ou chegar logo a loucura que antecede o repouso.

Inté +

D@N

Nenhum comentário:

Postar um comentário